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Tudo sobre “O Brado Retumbante” – Conheça a sinopse e os personagens da nova minissérie da Globo

Ele jamais imaginou que um dia seria presidente de qualquer coisa, quem dirá do Brasil. Na verdade, nunca desejou isso. Apesar de seu talento nato para a liderança, esse advogado boa gente, que reúne uma curiosa mistura de um temperamento boêmio com uma determinação militar, nem em seus sonhos mais remotos pensou que comandaria uma nação.

Um presidente por acaso que luta pelos ideais de mais de 190 milhões de brasileiros. Um presidente que se emociona, ri e chora sem pudor. Talvez o que faltava nesse Brasil fictício, com defeitos, mas repleto de virtudes. Exatamente como o seu mais novo líder, Paulo Ventura, personagem de Domingos Montagner na minissérie ‘Brado Retumbante’, de Euclydes Marinho, que estreia dia 17 de janeiro, na Rede Globo, logo após o ‘Big Brother Brasil 12’.

Sob a direção de núcleo de Ricardo Waddington e direção geral de Gustavo Fernandez, ‘O Brado Retumbante’ será apresentada em oito episódios, exibidos de terça a sexta-feira. A minissérie mostra não só as reviravoltas na vida de Paulo Ventura ao assumir a Presidência da República da noite para o dia, como também a face mais realista possível de seus problemas. “Eu quis mostrar nesta minissérie que, por trás de todo presidente, existe um ser humano, alguém que tem problemas, dor de barriga, pai, mãe e mulher. E que nós não ficamos sabendo. Revelar essa intimidade de um homem comum na Presidência. Na história do Paulo Ventura, ele já era um político que vivia uma fase desanimada como homem público, e que acaba sendo eleito presidente da Câmara dos Deputados por uma manobra, para ser um fantoche do sistema”, revela o Euclydes Marinho, que reuniu um time diferenciado, com Nelson Motta, Guilherme Fiuza e Denise Bandeira, para colaborar na concepção da minissérie.

A missão de Paulo Ventura (Domingos Montagner) como presidente é não fechar os olhos à sucessão de escândalos e do aparente esfacelamento das instituições do país. A sua meta é fazer com que a política não pareça tão complexa e repetitiva, algo que “não nos diz respeito”. São 15 meses de um desafio sem igual. Um período que promete ameaças, difamações e mais de uma dúzia de inimigos. Uma posição que mexe – e muito – com a cabeça, as ambições e os sentimentos dos que o cercam, inclusive seus familiares. O privado e o público agora se misturam, habitam o mesmo lugar, o mesmo homem. Não será fácil.

Em plena crise conjugal, ele buscará na esposa Antonia (Maria Fernanda Cândido) o apoio necessário para cumprir o seu curto e inesperado mandato. Extremamente inteligente, essa professora de história finge acreditar nas falsas promessas de amor do marido e mantém com discrição e sensatez todas as aventuras de Paulo. Talvez em nome dos mais de 20 anos que viveram juntos, talvez pelo país e pela vontade de acertar ou talvez pelo amor que ainda sente por ele.

Fora do gabinete presidencial, Paulo se vê às voltas com conflitos familiares, um prato cheio para a imprensa. Julieta (Maria do Carmo Soares), uma mãe mentalmente atormentada e que parece não ter outro prazer a não ser infernizar a vida dos que a rodeiam, é uma pedra no sapato do filho. Beijo (Otávio Augusto) é um tio que tenta, de qualquer jeito, se dar bem às custas do “parente presidente”. Com os filhos, a relação é ainda mais delicada. A primogênita, Marta (Juliana Schalch), é uma menina mimada e explosiva. E Julio (Murilo Armacollo) exige do pai uma compreensão que Paulo não é capaz de oferecer. Depois de anos longe de casa, ele retorna como a transexual Julie.

Um tiro que saiu pela culatra

Chefiados pelo Senador (Luiz Carlos Miele), um emblemático político na cena brasileira, um grupo de velhas raposas da política articula para que o deputado Paulo Ventura (Domingos Montagner) se torne presidente da Câmara. A intenção, porém, era manipulá-lo e retirá-lo da oposição ferrenha que fazia ao governo. Quando um acidente aéreo mata o presidente da República e seu vice, Ventura se vê obrigado a assumir o país.

Sem tempo para pensar, ele assume sabendo que em 15 meses não conseguirá realizar nenhuma das grandes e necessárias reformas de que o Brasil necessita. Decide concentrar a sua energia principalmente no combate à corrupção. E Paulo tem pressa em desmontar o que ele chama de “Estado paralelo” – a soma dos diversos esquemas montados para sangrar os cofres públicos através de superfaturamento, desvios de verbas, licitações fraudulentas e roubos de todas as espécies. Ele, então, enfrenta de frente as mazelas do governo.

Ameaça velada

Uma das primeiras medidas internas de Ventura (Domingos Montagner) é ordenar uma vigilância constante a alguns notórios bandidos, entre eles um antigo amigo, Floriano Pedreira (José Wilker), ministro da Justiça do finado presidente. Em vez de demiti-lo, o desejo de Paulo é vê-lo na cadeia. Na primeira oportunidade em que fica cara a cara com o político, e as cartas são postas na mesa, Paulo é desafiado pelo seu algoz.

O jogo é duro. Apesar de não ser ingênuo, Paulo nunca foi capaz de imaginar que suas aventuras amorosas pudessem sair do âmbito pessoal para virar manchetes de jornais e combustível para chantagens. A exuberante Alessandra (Alinne Rosa), um dos relacionamentos extraconjugais do presidente, é o melhor exemplo disso. Esposa de um senador baiano, ela sugere largar o marido ao anunciar uma suposta gravidez. Mas seus planos vão por água abaixo após saber que o preço por se envolver com Ventura pode ser alto demais.

O presidente popular

Logo em seu discurso de posse, Paulo (Domingos Montagner) se compromete em manter um canal constantemente aberto com a população através de seu blog – Sonho Intenso. É através desta ferramenta que o presidente vai apresentar os seus projetos e revelar os esquemas de corrupção e fraudes que rondam

o governo. Mas é também por meio da internet que ele recebe duras críticas, exatamente por não ter papas na língua e dar nome aos bois envolvidos em politicagens.

Trabalhador incansável, Paulo pode até reclamar, mas a verdade é que ele adora ser presidente. Apesar das formalidades que a nova posição exige, ele não despreza os prazeres simples da vida – uma boa comida mineira, as rodinhas de choro (tocando seu clarinete), o futebol de domingo ou uma conversa fiada.

A força do presidente

Não há dúvida de que o amor uniu Paulo (Domingos Montagner) e Antonia (Maria Fernanda Cândido). Tão ou mais brilhante que o marido, ela é fascinante, e Ventura sabe disso. Juntos, lutaram contra tudo e contra todos para se casarem antes mesmo da formatura. Em meio a muito trabalho, a diálogos inteligentes e à paixão durante as madrugadas, venceram todas as dificuldades.

Ela era a força da qual ele precisava, mas a infidelidade de Paulo cismava em atrapalhar, quase uma questão patológica. Ela cansou, e a separação foi inevitável.

Mas, quando Ventura recebe a notícia de que deverá assumir as rédeas do país, é em Antonia que ele pensa: corre para os braços da sua ex-mulher e lhe propõe um casamento com prazo de validade, os 15 meses em que estará no poder. Paulo sabe que não dará conta sem ela ao seu lado. Talvez a compaixão tenha falado mais alto em meio ao turbilhão de sentimentos que tomou conta da mulher que passou de professora de história a primeira-dama num piscar de olhos.

Antonia é firme sem perder a doçura e tem a capacidade de enfrentar os próprios sentimentos de forma brilhante. Mas engana-se quem pensa que essa maturidade é algo fácil de se lidar. Na prática, só ela sabe da dor e do peso de ser quem é. Mãe zelosa, não abre mão de proteger e lutar pelos filhos, se a situação assim demandar. Essa força também é claramente vista quando a primeira-dama luta pelos seus ideais, mesmo quando não pode contar com o apoio de seu marido, o presidente da República. É exatamente por isso que Paulo, volta e meia, diz que ela é quem deveria liderar o país.

Rir para não chorar

Ventura (Domingos Montagner) assume a Presidência da República, mas nem assim tem o poder para manter sua mãe, Julieta (Maria do Carmo Soares), e seu tio Beijo, (Otávio Augusto) à distância. Donos de personalidades defeituosas, essas figuras formam uma dupla de irmãos capaz de tirar o sono de Paulo. Beijo e Julieta protagonizam situações que ultrapassam o limite do aceitável e, neste caso, o trágico realmente se transforma em cômico. Há deboche, exagero e desequilíbrio em tudo o que os dois fazem e dizem, especialmente quando o foco está em Paulo Ventura.

Cenografia e produção de arte: uma ficção-realista com toques de cinema

Inicialmente construído apenas para ser um palácio de verão, o cenário principal da minissérie ‘O Brado Retumbante’ foi escolhido como a principal moradia do presidente Paulo Ventura ( Domingos

Montagner), que resolve despachar as demandas do dia a dia diretamente do Rio de Janeiro. Inspiradas na Riviera Francesa, as equipes de cenografia e produção de arte se basearam no estilo neoclássico para a criação da sede do governo, erguida com uma arquitetura eclética e traços de Art Nouveau.

Enquanto o interior do palácio foi todo produzido nos estúdios da Central Globo de Produção, para a fachada foi selecionado o prédio do Jockey Club Brasileiro, na Gávea, Rio de Janeiro, um marco visual significativo da cidade. Com colunas jônicas e abóboda de vidro, o prédio , em que o presidente Paulo Ventura (Domingos Montagner) reside, lembra os palácios parisienses.

“Dividimos o palácio em duas alas. Na residencial, há cores mais leves, mármores, pratarias e um desenho mais suave. Já na administrativa, não tivemos como fugir do ambiente de trabalho, que tem um clima um pouco mais pesado, com muitos documentos. Optamos por usar quadros de Portinari e dar um toque modernista. Mas a arquitetura é basicamente a mesma, as janelas e as colunas são iguais, e tudo é interligado com muitos corredores”, explica a cenógrafa, Isabela Urman. Segundo ela, a computação gráfica é o recurso utilizado para inserir Brasília na trama.

Os cenários fora do âmbito político, como o apartamento onde Antonia (Maria Fernanda Cândido) residia com Paulo na época em que ele nem sonhava com a presidência, fogem completamente de modelos tradicionais. Esses ambientes, ao contrário da frieza e impessoalidade do palácio, imprimem suas personalidades e vivências por meio de cada objeto que compõe os cenários.

“O apartamento de Antonia e Paulo é cercado de história. Com o pé direito alto e cômodos amplos, o lugar dispõe de muitos livros, álbuns de viagens, móveis brasileiros, coleções e artesanato. Um dos destaques deste cenário é a sala de jantar, que foi montada especialmente dentro da biblioteca”, conta Nininha Medicis, que assina produção de arte da minissérie.

A criação dos ambientes interferiu diretamente na estética de ‘O Brado Retumbante’, que tem clima de cinema. A explicação para isso deve-se à concepção dos cenários, que contam com um diferencial em relação à maioria das produções feitas para a televisão: são todos fechados, ou seja, além de piso e paredes, têm teto. Os bastidores do estúdio não ficam expostos, visíveis, e por esta razão a minissérie ganhou um tratamento especial de iluminação, atribuição da direção de fotografia, assinada por Fred Rangel.

O toque verde e amarelo fica por conta do brasão, feito especialmente para a minissérie. A criação se assemelha ao símbolo original, porém é resultado de uma mistura entre os brasões do império e da república.

Figurino e caracterização: simplicidade e elegância na medida certa

Paulo Ventura (Domingos Montagner) é um homem comum, com um cargo político, e que, ao se tornar presidente, se mantém com a simplicidade de sempre. A combinação de calça, paletó e gravata é sinônimo de conforto, traje que ele usa como se fosse uma velha calça jeans. Mesmo assim, em um mundo restrito de indumentária, o presidente é capaz de se destacar facilmente entre os outros engravatados. “Ele é um advogado que se tornou presidente por acaso. E a forma como se sente à vontade

é dentro de um terno. Ele não saberia se vestir de outro jeito”, define a figurinista, Karla Monteiro, que considera um desafio encontrar leves inspirações para todos os políticos de ‘O Brado Retumbante’.

Seguindo a linha do marido, Antonia (Maria Fernanda Cândido) também é adepta de um estilo simples, mas elegante. Ela é professora de história em uma universidade pública e não defende o status de primeira-dama como profissão. “Antonia é jovem, contemporânea, mas muito simples. Ela usa acessórios pontualmente e sempre escolhe a prata. Mas, quando a sua vida amorosa ganha novos rumos, ela fica mais feliz, e vemos isso nitidamente no figurino, pois seus vestidos ficam um pouco mais curtos”, conta Karla.

O único momento em que Antonia encarna a personagem de esposa do presidente é no emblemático dia da posse. Ela trocará a prata pelo ouro, a sandália rasteira pelo salto, e surgirá em um vestido longo com um leve brilho. “Nesta hora, Antonia também abandona os fios soltos e prende os cabelos, além de usar a maquiagem em um tom um pouco acima do que está acostumada”, revela a responsável pela caracterização da minissérie, Maria do Socorro.

Em relação aos vilões, os destaques estão nos detalhes. São essas minúcias que deixam transparecer a elegância, o poder e a vaidade desses personagens naturalmente dissimulados.

Outras personagens da minissérie também prometem chamar a atenção, não pela elegância, mas pelo exagero. Sem se preocupar com o novo cargo do filho, Julieta (Maria do Carmo Soares) segue montando o seu visual nos brechós de Copacabana, no Rio de Janeiro, e mistura os mais diferentes estilos. A ousadia de Julieta fica por conta das bijuterias. Já a filha de Paulo, Marta (Juliana Schalch), não esconde o compromisso com o que está na moda. E de preferência com o que é caro, afinal ela se casou com um empresário bem-sucedido, o Tony (Leopoldo Pacheco).

Mas o maior desafio da equipe de figurino e caracterização de ‘O Brado Retumbante’ foi o filho transexual de Paulo Ventura. Todos tiveram muito cuidado e dedicação para encontrar o tom exato de Julie (Murilo Armacollo), sem deixá-la caricata ou vulgar. Ela será apenas uma menina bonita, com roupas simples e femininas, que poderia perfeitamente sair da tevê e ganhar espaço nas ruas.

Entrevista com o autor, Euclydes Marinho

Euclydes Marinho começou a vida profissional como fotógrafo. Antes de atuar na tevê como autor, estudou desenho industrial, trabalhou como fotógrafo e agricultor e chegou a se tornar sócio de um restaurante. O cinema sempre foi a sua paixão, mas alguns obstáculos o afastaram da telona. A oportunidade para escrever para a televisão nasceu a partir de uma parceira com Daniel Filho, no seriado ‘Ciranda Cirandinha’, em 1978. Euclydes fez parte da equipe de autores da história, exibida em seis episódios sob a supervisão da censura. O autor começou com o pé direito, pois o seriado foi premiado pela Associação Paulista de Críticos como o melhor programa de tevê daquele ano e, posteriormente, recebeu o prêmio Estácio de Sá, oferecido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Depois disso, escreveu outros seriados como ‘Malu Mulher’, os especiais ‘Mulher 80’, ‘Um Facho de Luz’ e a ‘Gata Roqueira’. Em 1981, foi colaborador de Gilberto Braga na novela ‘Brilhante’ e, no ano seguinte, estreou como autor principal. O seu ponto de partida foi a minissérie ‘Quem Ama não Mata’. Além de minisséries, seriados, especiais, minissérie e novelas, Euclydes também escreveu roteiros de longa-metragem – e atuou como diretor em um deles, o ‘Mulheres Sexo Verdades Mentiras’. ‘Armação Ilimitada’, ‘Desejos de Mulher’, ‘Confissões de Adolescente’, ‘Andando nas Nuvens’, ‘Capitu’, ‘Mico Preto’ e a ‘A Vida como Ela é…’ são algumas obras que assinou, colaborou ou adaptou ao longo de sua carreira.

Você é um autor que já criou obras que, embora se encaixassem em diferentes formatos, tinham como traços marcantes as nuances do relacionamento humano. Por que, então, se debruçar sobre uma minissérie que, mesmo sem deixar de lado os dramas e conflitos dos personagens, tem na política o pano de fundo para o desenrolar da história?

O que me levou a escrever esta minissérie, anos atrás, foi um incômodo com a situação do país. Mas retratar o lado humano é o que eu mais sei fazer, ao contrário da política, que não é a minha área. Eu queria fazer uma história adulta, sem maniqueísmo. O protagonista, Paulo Ventura, não é certinho o tempo todo. O Paulo magoa a Antonia, uma mulher que é maravilhosa! Mas, ao mesmo tempo, é boa gente. Fazia tempo que eu não realizava um trabalho que me estimulasse tanto.

A parceria afinada entre um autor e seus colaboradores é um importante passo para que o resultado final do texto seja bem-sucedido. Você reuniu um time diferenciado, com profissionais que têm ligações com a ficção, mas que também passeiam por outras áreas no que se refere à criação ou à produção de conteúdo. Na prática, como a minissérie foi concebida?

Eu sempre soube, desde o começo do trabalho, que precisaria de alguém que entendesse de política. Em um primeiro momento, tinha pensando em uma consultoria, mas não sabia quem buscar. Recebi então a indicação de Guilherme Fiuza, que foi um grande acerto. Ele tem uma grande experiência política, é jornalista e tem um pé na ficção. Eu já tinha lido duas obras dele e li o restante depois. Pensei, então: “Esse cara escreve cena!”. O Nelson Motta é meu “brother”, um antigo parceiro. Fizermos o ‘Armação Ilimitada’ juntos. Para a minissérie, eu queria o humor dele.

A Denise Bandeira é uma parceira mais antiga ainda. Foi minha colaboradora há 30 anos. Ela é uma socióloga muitíssimo crítica, informada e politizada. Eu estou muito bem cercado. A melhor coisa que eu fiz foi montar esta equipe. A minissérie é fruto desta parceria. Nós conversamos muito. A oito mãos, passamos um pente fino em praticamente palavra por palavra. É um trabalho em parceria. Esta minissérie, do jeito que está, não existiria sem que nós quatro estivéssemos juntos.

A figura do diretor é fundamental para dar forma à criação de um autor que escreve para a televisão. A relação desses dois profissionais só se desenvolve a partir de premissas como confiança, admiração e capacidade de entendimento. Sabe-se que a escolha de Ricardo Waddington foi sua. O que o levou a esta decisão?

Eu nunca tinha feito nada com o Ricardo Waddington, mas já entreguei o projeto pensando nele. Quase trabalhamos juntos há uns dez ou 15 anos, mas não aconteceu. Depois disso, nunca mais tivemos uma nova oportunidade. Desta vez eu batalhei por ele. Eu venho acompanhando o Ricardo e tenho amigos que são parceiros dele, por isso sei que ele é o diretor que eu precisava para este trabalho. O Ricardo luta pela qualidade, tem muito cuidado artístico, e isso é incrível. Além de ser um grande parceiro. Ele tem a mentalidade que um diretor tem que ter, que cuida de tudo. Tem noção de música, elenco, texto… e tem uma visão macro do que está sendo feito. Nos próximos projetos, quero repetir a parceria.

Embora o país retratado seja um “Brasil paralelo, fictício”, de onde vieram as histórias que ajudam a contar a trajetória de Paulo Ventura? Podemos afirmar que a minissérie tem um quê de otimismo?

É tudo ficção mesmo. Eu queria, realmente, fazer um personagem de ficção. Não tem nada a ver com ninguém que já tenha passado pela política ou que ainda esteja lá. Isso vale para todas as histórias e os personagens. Foi assim que criamos o nosso presidente. Eu vi mais de 30 filmes americanos que retratavam personagens presidenciais. Eles fazem isso com muita naturalidade. Sobre o otimismo, nesta minissérie, o bandido vai preso e o malfeitor tem punição.

Você construiu um homem que literalmente se tornou presidente da República da noite para o dia. E ainda criou uma primeira-dama cheia de conflitos, com doçura e firmeza, corretamente temperados em sua personalidade. Os vilões ou antagonistas foram concebidos com ironia, audácia e uma certa liberdade para ultrapassar limites éticos. Cada personagem ou núcleo guarda características bem específicas. Você tem alguma predileção em relação aos personagens da minissérie?

Além do Paulo (Domingos Montagner) – o seriado é o Paulo! – eu tenho predileção pelo Beijo (Otávio Augusto) e pela mãe do Paulo, a Julieta (Maria do Carmo Soares). Eu tenho um xodó especial porque é o lado da galhofa, afinal, eu não sou um cara muito sério. Eu gosto de humor e isso eles têm. É um humor meio torto, mas está ali presente. Eu adoro a personagem “mãe maluca”. Eu sempre tenho uma mãe perturbada em meus textos. Em ‘Andando nas Nuvens’, por exemplo, a Nicette Bruno era a mãe exagerada do galã da novela, Chico (Marcos Palmeira).

Na prática, até que ponto você se envolveu e interferiu em decisões mais voltadas para a produção da minissérie? Por favor, fale um pouco sobre assuntos como escalação de elenco, escolha das locações para gravações em externas e seleção da trilha sonora, entre outros.

Eu participo muito da pós-produção e da trilha sonora de um produto, como faço em novelas. Em ‘O Brado Retumbante’ não foi diferente. Em relação ao elenco, o talento do diretor e de sua equipe faz toda a diferença. Tomamos uma decisão importantíssima, a de usar muitos atores não tão conhecidos para o público de tevê. Outro passo que demos foi o de optar por um presidente mais jovem, que tivesse uns 50 anos. O Domingos Montagner me foi apresentado pelo Ricardo. Então fui conhecer o trabalho do ator e comecei a ouvir que ele estava “bombando”, especialmente com o público feminino. Em relação às locações, eu já tinha imaginado como seria o palácio no Rio de Janeiro (já que o governo funciona aqui e em Brasília).

Entrevista com o diretor de núcleo, Ricardo Waddington

‘O Brado Retumbante’ é uma minissérie que leva a assinatura de Ricardo Waddington como diretor de núcleo. Em 28 anos de carreira, ele já dirigiu obras em diversos formatos, como programas, minissérie, especiais e mais de 20 novelas.

O Euclydes nos contou que ele pediu pessoalmente que você fosse o diretor da minissérie. Ele disse que, para você, a qualidade de seus produtos está sempre em primeiro lugar. E que, entre algumas outras qualidades, esse cuidado extremo com o que produz foi o que mais o atraiu para esta parceria. E para você, qual foi a razão (ou as razões) para embarcar nesta minissérie de Euclydes Marinho?

Eu sou o diretor de núcleo da minissérie, mas não assino a direção geral. Convidei o Gustavo Fernandez, que é muito talentoso e já fez muitos trabalhos comigo. Voltar a ter na TV Globo uma minissérie com esse enfoque político – há muito tempo que a emissora não visitava este universo – foi, certamente, o que mais me atraiu. Além de poder trabalhar com o Euclydes Marinho.

Para falar especificamente da minissérie, temos um personagem incrível. Apesar de não ser algo impossível, é bastante improvável vê-lo se tornar presidente da República. Esse cara se vê com uma enorme batata quente nas mãos. É um personagem, como todo bom herói, que tem uma grande virtude e vários pequenos defeitos. Esse é o Paulo (Domingos Montagner), esse é o presidente. Ele não é maniqueísta, é humano. O Paulo tem um caráter incrível, mas tem uma vida muito atrapalhada, pois comete inúmeros pequenos erros, um atrás do outro.

Você é apontado como um diretor descobridor de talentos e formador de profissionais. Sob esta perspectiva, há algum destaque no elenco ou na produção de ‘O Brado Retumbante’?

O maior destaque é o próprio Domingos Montagner. Ele fez uma pequena participação em ‘A Cura’ e ‘Divã’. Depois, viveu um grande personagem em ‘Cordel Encantado’. Ele se revelou um grande ator. Temos um casting interessante, pois reunimos muita gente que não faz televisão. É um elenco bem particular. Acredito que teremos muitas surpresas nesta minissérie. E o Domingos, fazendo um protagonista absoluto, é a grande aposta. Além da Maria Fernanda Cândido, que está fazendo um trabalho irrepreensível. É a primeira vez que estamos juntos em uma produção e eu tive a sorte de encontrá-la neste momento, que deve ser provavelmente o melhor momento dela. Além de linda, ela está extremamente madura como atriz. O personagem é dificílimo e eu estou muito feliz com o resultado da atuação dela.

Não é comum que o presidente da república seja retratado na teledramaturgia brasileira. Isso exige de você e de sua equipe alguma peculiaridade no trabalho de conceituação ou produção (cenografia, figurino, produção de arte, caracterização, efeitos especiais…) da minissérie?

Sim, temos todos os cuidados do mundo, porque estamos falando de um assunto sensível. Pesamos em como tratar da democracia e em como lidar com o maior representante do país. Mas nem por isso deixaremos de retratar este universo.

A história se passa em um Brasil fictício, mas poderia acontecer em qualquer república, em qualquer democracia. Ela aborda temas e situações, como corrupção ou luta por território político, passíveis de serem vistas em outros cenários. É uma obra de ficção e, apesar disso, falamos, de maneira geral, da democracia dentro de uma república.

Entrevista com o diretor-geral, Gustavo Fernandez

Em sua estreia como diretor-geral, Gustavo Fernandez imprime um tom realista e documental à minissérie. Após o sucesso da novela ‘Cordel Encantado’, em que foi um dos diretores, ele explica que ‘O Brado Retumbante’ tem uma linguagem completamente oposta ao trabalho anterior. Em seu currículo, constam passagens na direção de novelas como ‘Começar de Novo’, ‘Belíssima’, ‘Duas Caras’, ‘Cama de Gato’ e ‘Passione’.

As imagens da minissérie ganharam um tratamento de cinema e uma das razões para isso justifica-se pela construção de cenários que fogem do padrão televisivo. Mas isso é resultado do trabalho de direção de fotografia, que apostou em uma iluminação diferenciada. Você pode contar um pouco sobre esse clima cinematográfico e destacar como se deram, na prática, suas interferências em relação à direção?

‘O Brado Retumbante’ terá uma estética mais realista. Usamos pouca luz para trazer este clima de suspense cinematográfico e tensão em alguns momentos. De maneira geral, será esse realismo que conduzirá a estética e direção da minissérie. A ideia era aproximar o máximo possível do documental, com um tom mais jornalístico. O mesmo vale para a direção dos atores, já que tentamos ver os personagens muito acima dos atores, de forma a aprofundar ainda mais os seus conflitos.

Uma minissérie que fala sobre política e explora os dramas pessoais dos personagens passeia por diversos gêneros, todos reunidos, por vezes, em uma única cena. Como um diretor-geral lida com essa complexidade dramatúrgica?

A minissérie não tem só uma linha de direção. De fato, há desde cenas muito dramáticas, especialmente quando dizem respeito à vida íntima do presidente, até tiradas divertidas, em que os personagens Julieta (Maria do Carmo Soares) e Beijo (Otávio Augusto) nos aproximam da comédia. O mesmo vale para a trilha e, por esta razão, não foi possível unificar um tema principal para a minissérie, já que as situações são muito díspares.

A escolha dos cenários e a criação dos ambientes para a gravação em estúdio foram um capítulo à parte na realização de ‘O Brado Retumbante’. Como você conduziu essa importante etapa da fase de produção da minissérie?

O Ricardo Waddington me deu muita liberdade para fazer este trabalho e escolher a equipe ideal. Foi um trabalho coletivo e essencial para que chegássemos ao formato do palácio em que o Paulo Ventura (Domingos Montagner) irá residir, e que é a parte mais ficcional da trama. Outro cenário fundamental e que tivemos bastante cuidado em conceber foi o Plenário, que não poderia ser adaptado. Então optamos por reproduzi-lo cenograficamente.

O fato de o Domingos Montagner ter aptidão e saber tocar um instrumento de sopro ajudou nas cenas em que Paulo Ventura aparecerá tocando clarinete? Essa escolha foi proposital?

Como o Domingos Montagner já tocava um pouco de saxofone, foi tudo mais fácil. Ele trouxe a sua experiência com o instrumento e nos ajudou na trilha. Algumas aulas bastaram para que ele assumisse parte das cenas sozinho. Em muitos momentos, iremos vê-lo tocando de verdade, como no encerramento de um dos episódios, em que ele tocará “Aquarela do Brasil”, de Lamartine.

Perfil dos Personagens

A família presidencial

Paulo Ventura (Domingos Montagner) – O presidente do país. Um advogado carismático, naturalmente sedutor e boa praça, que vai parar na Presidência da República a partir de uma manobra política que não saiu exatamente como se previa. Ele tem um casamento problemático com Antonia (Maria Fernanda Cândido), com quem tem dois filhos.

Antonia (Maria Fernanda Cândido) – Doutora em história do Brasil, ela tem alma de militante. Casou-se com Paulo, mas o relacionamento nunca foi tranquilo, pois seu marido não resiste a um rabo de saia. Antonia é a fortaleza de Paulo Ventura (Domingos Montagner).

Marta (Juliana Schalch) – Filha de Paulo Ventura (Domingos Montagner) e Antonia (Maria Fernanda Cândido), Marta tem uma personalidade instável. Ela vive em constante estado de tensão, mesmo que não exista um motivo concreto, real. É casada com um rico empresário, Tony (Leopoldo Pacheco).

Julio/Julie (Murilo Armacollo) – Filho de Paulo Ventura (Domingos Montagner) e Antonia (Maria Fernanda Cândido), saiu de casa muito jovem devido aos conflitos que viveu com o pai. É transexual e luta para ser aceito como Julie.

Julieta (Maria do Carmo Soares) – Mãe de Paulo Ventura (Domingos Montagner), ela exerce a arte da manipulação como ninguém. Julieta sabe dos pontos fracos do filho e não hesita em usá-los a seu favor.

Beijo (Otávio Augusto) – Tio trambiqueiro de Paulo (Domingos Montagner), ele tenta usar de sua proximidade e pseudo-influência para se beneficiar, mas dá com os burros n’água. Beijo quase embarca na rede de políticos que tenta derrubar Ventura da presidência.

Tony (Leopoldo Pacheco) – Genro de Paulo (Domingos Montagner), Tony é apaixonado por Marta (Juliana Schalch), o que justifica a sua paciência com os chiliques da esposa. Tony é um empresário de sucesso e é dedicadíssimo ao trabalho. Ele se dá bem com Ventura, mas não compartilha das ideologias do sogro.

No palácio

Saldanha (Cacá Amaral) – O chefe de Gabinete de Paulo (Domingos Montagner) é também seu grande amigo e confidente. Sal, como é carinhosamente chamado por Ventura, é um homem inteligente, sagaz e fiel.

Fernanda (Mariana Lima) – É ela quem faz a comunicação entre a presidência e o Congresso. A deputada é feminina e charmosa, mas mantém uma postura firme e decidida. Fernanda esconde um segredo que a tira do eixo, a paixão por Paulo Ventura (Domingos Montagner).

Werneck (Valter Santos) – O Coronel do exército é o chefe de Inteligência da presidência. Fala pouco e só revela o que pensa para Paulo (Domingos Montagner). É um sujeito fiel ao presidente.

Oscar (Francisco Gaspar) – O seu cargo é garçom do palácio, mas Oscar é mais do que isso. Além de servir ao gabinete, ele trabalha na ala presidencial. Paulo (Domingos Montagner) conversa muito com Oscar e, por isso, Antonia (Maria Fernanda Cândido) tenta, sem muito sucesso, arrancar alguma confidência do garçom.

Claudia (Ramona Zanon) – Eficiente secretária pessoal de Ventura (Domingos Montagner). É discreta e talvez por isso finge que não percebe os ciúmes da primeira-dama.

Laurinha Leão (Lolo Souza Pinto) – É a governanta do palácio presidencial. Diante de Antonia (Maria Fernanda Cândido) é séria, mas quando está sozinha com Paulo (Domingos Montagner), se faz de mulher envolvente.

Otacílio Júnior (Jui Huang) – Analista de sistemas, o rapaz é subsecretário de Inteligência. Não existe nada no universo da informática que seja indecifrável ou inatingível para ele.

Isabel Pessanha (Cecilia Homem de Mello) – Secretária da presidência. É discreta e muito prestativa. Isabel desperta a desconfiança de Saldanha (Cacá Amaral), mesmo sem nenhum motivo aparente.

Barata (Paulo Ivo) – Jornalista e porta-voz da presidência.

Jonas (Waldeck) – Segurança da presidência.

Djalma (Zeca Carvalho) – Segurança da presidência.

Oposição

Senador (Luiz Carlos Miele) – Ele é a cabeça pensante de todos os golpes que Paulo (Domingos Montagner) sofre. É a grande inspiração e o grande modelo para Floriano (José Wilker).

Floriano (José Wilker) – Ministro da Justiça, já foi amigo de Paulo (Domingos Montagner), até a sua máscara cair. É o grande vilão da história, um homem frio e calculista.

Josivan (Chico Expedito) – Deputado que se envolve em uma armação que pretende derrubar Paulo Ventura (Domingos Montagner) do poder.

Pachequinho (Fabio Espósito) e Bodelér Sampaio (Francisco Carvalho) – Deputados e cupinchas do Senador (Luiz Carlos Miele).

Outros personagens

Lucia Wolf (Cristina Nicollotti) – Competente jornalista. É isenta quando fala sobre política. O seu trabalho e a sua postura chamam a atenção de Paulo (Domingos Montagner).

Regina (Ida Celina) – Terapeuta de Antonia (Maria Fernanda Cândido).

Fátima (Marina Elali) – Intérprete de um chefe de estado. Paulo (Domingos Montagner) fica encantado com ela, que sede aos encantos do presidente.

Alessandra (Alinne Rosa) – Casada com um senador, a baiana tem um relacionamento extraconjugal com Paulo (Domingos Montagner) e quase o coloca em sérios apuros.

Mourão (Hugo Carvana) – Um antigo presidente que fez um péssimo governo, mas aposta em Paulo Ventura (Domingos Montagner) como uma saída para a recuperação do país.

Martín (Daniel Kuzniecka) – Argentino por quem Antonia (Maria Fernanda Cândido) se apaixona.

Professora Neide (Sandra Corveloni) – Professora que se envolve em um escândalo relacionado ao Ministério da Educação.

Thelma (Cristine Peron) – Médica responsável por cuidar de Paulo Ventura (Domingos Montagner) e com quem ele terá um breve envolvimento.

Emir (Chami Yunes) – Chefe de estado dos Emirados Árabes

Alaor (Ricardo Corte Real) – Candidato do governo à sucessão de Paulo Ventura (Domingos Montagner).

Helmult (Carlo Briani) – Ministro da Agricultura.

Alarico Ferrão (Geronimo Santana) – Senador baiano, marido de Alessandra (Alinne Rosa).

Guilherme (Leonardo Machado) – Professor e amigo de Antonia (Maria Fernanda Cândido).

Navarro (Edgardo Roman) – Presidente da Bolívia do Sul.

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  1. Felipe Itapipoca
    14/12/2011 às 09:55

    Bom dia,jogo do Santos no Canal Esporte Interativo.

  2. Fernando Capela
    14/01/2012 às 21:10

    Seria um F. Collor, caso elle tivesse se levado a sério, e a Globo estivesse falando a verdade.

  3. Leandro Lins
    18/01/2012 às 09:25

    Pena que é ficção!!!

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